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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

★ E a saudade, hein?!


Saudade é um sentimento triste, pois significa ausência e uma vontade de ter o que já não se tem. Quando temos muita saudade, é normal sentir o coração apertado e deixarmos as lágrimas correrem pelo rosto. Choramos pelo que perdemos, pelo que sentimos falta. E choramos! Pode chorar!
Porém, só sente saudade quem conheceu e conviveu com pessoas encantadoras, quem teve sensações únicas e viveu momentos fantásticos. Recordar esses momentos, essas pessoas, também deve ser motivo de alegria! De fato, só sente saudade quem viveu momentos maravilhosos. 
Eu tenho a sorte de não ter perdido muitas pessoas do meu convívio. Quando minha vó faleceu, eu era muito pequena e nem compreendia o que aquilo significava de verdade. Mas existem duas pessoas que me fazem muita falta: um grande amigo e um irmão. Mas a situação do irmão, é até estranha, pois eu não o conheci! Minha mãe mãe o perdeu no parto e era seu primeiro filho. Ocorre que, desde que me foi contada essa história, eu sinto um desejo enorme e uma falta monstra de ter um irmão mais velho.
É bem estranho mesmo, às vezes me pego pensando como ele seria, se nos daríamos bem.. e vivo da imaginação. O que já não acontece com meu amigo Estevam, pessoa que me ensinou o verdadeiro significado do que é a vida e viveu junto comigo, momentos os quais eu jamais esquecerei! 
Minha maior dor é ter perdido nossas fotos que estavam no meu HD velho, que se corrompeu. Passei toda tarde revirando caixas e gavetas atrás de uma foto pra postar aqui, mas não encontrei! Me conformarei com a lembrança dele sorrindo pra mim (:
Encontrei um recadinho que ele escreveu pra mim certa vez que ele apareceu aqui em casa e eu estava dormindo, e chorei. Chorei de saudade. Por querer entender porquê. 
Arrumei meu quarto, abri minha janela e um sol lindo invadiu tudo aqui. Tomei um bom banho e coloquei pra rodas as músicas que ouvíamos juntos... chorei um pouco, porque não dá pra negar que dói demais; mas depois sorri! muito! Porque a felicidade que ele me proporcionou durante o tempo que esteve aqui e a alegria que eu sinto quando fecho os olhos e as lembranças vêm naturalmente, batem um bolão contra minha dor. 
Quis compartilhar isso com vocês pra poder dar um conselho apenas:: aproveitem as pessoas que estão ao redor! Dê valor pros gestos simples, pros sorrisos, pras gentilezas. Agradeça sempre e as lembre o quanto elas fazem da sua vida, uma vida melhor! 
E se você tem alguém que, especialmente no dia de hoje te deixa saudades, não tenha vergonha de chorar... contando que você não esqueça de sorrir, depois! Embora exista a dor, nós somos pessoas felizes por termos esses momentos! Tivemos o privilégio de conhecer essas pessoas, de viver esses momentos, de os sentir.   
Assim, a saudade é um dom:: pois nos faz reviver, através da memória, o melhor que a vida nos deu. Se você tem saudades, alegre-se: teve momentos que valeram a pena serem vividos!

"Saudade é o preço que se paga por viver momentos inesquecíveis!"
Te amo meu Galeguinho ♥

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

★ Pequeno grande amor


Encontrei uma conhecida no bus ontem e ela me contou que a vó dela faleceu. 
Até aí, "tudo bem"! Até que ela começou a falar sobre a falta que a vó dela fazia, e a repercussão que o ocorrido tinha causado na vida dela. 
Ela morava com a vó, teve que voltar a morar com a mãe e o padrasto - que não se dá muito bem com ela. Ficou mais longe do trabalho, da faculdade. O ambiente familiar mudou. Enfim, uma reviravolta repentina. 
Mas o que me fez pensar, não foi exatamente isso, foi ela ter me dito o seguinte: "Todos os dias pela manhã, quando eu acordava, a mesa estava posta pro café da manhã. E a maçã que eu como no meio da manhã? Era a vó que deixava lavadinha em cima do balcão pra eu levar. Eu não almoçava em casa, ia do trabalho direto pra faculdade, e quando eu chegava em casa, minha vó, na maioria das vezes, já estava dormindo - mas minha cama estava feita, a janta estava quentinha no fogão e o bilhete dizendo "Eu te amo minha filha, durma bem!", debaixo da caneca em que eu tomava café antes de dormir. 
Pequenas coisas que com o costume, viraram rotineiras. 
Hoje, para suprir a falta que minha vó me faz, minha mãe deixa meu café pronto, minha maçã no balcão, e a janta pronta quando retorno pra casa. Vez ou outra arriscou deixar um bilhete para mim. Mas mesmo sendo minha mãe, não era a mesma coisa!
Ontem, mamãe teve a brilhante ideia de procurar um bilhete da vó, e pôr debaixo do meu prato. Hoje pela manhã, perguntei porquê, e ela respondeu que quando eu servisse a janta no prato e o colocasse em cima do bilhete, iria esquentá-lo. Quando eu acabasse de jantar, e levasse o prato à pia, eu iria perceber que apesar do bilhete não estar debaixo da caneca e não ter sido posto pela minha vó, assim como ele, a felicidade que os pequenos gestos que minha vó fazia por mim aqueceria meu coração, e me faria dormir, para sempre, sob a proteção dela."

Na hora lembrei da minha vó, que me acorda no inverno com sucrilhos na cama. É algo que aquece meu coração e me faz amá-la demais. Liguei pra ela só pra dizer que a amava, muito! 
Depois que desliguei, fiquei pensando sobre os pequenos gestos, as pequenas coisas e o valor que elas tem. 
Coisas simples mesmo, sabe? O "bom dia" do padeiro pela manhã, o "bom trabalho" que o motorista te deseja, a mamãe ligando pra você no meio da balada pra saber se tá tudo bem, os amigos trocando uma balada, por um churras e boas risadas com você, no final de semana. Um infinito de coisas do nosso cotidiano que não percebemos, mas quando elas deixarem de existir, sentiremos falta. 

Mais tarde quando estava assistindo a novela, escutei o barulhinho que minha hamster, a Lilica, faz quando tenta jogar o bebedouro pra fora da gaiola (e jogou, pra variar!), o que, consequentemente faz molhar minha bolsa que fica dependurada ao lado. 
Na hora, me deu vontade de gritar com ela, embora ela não fosse entender nada. Mas quando levantei, cheia de raiva, ela sentou na rodinha e ficou me olhando. Parecia até que sabia que eu estava furiosa com ela. 
Morri né? Queria apertá-la de tanto amor *-*
Na hora, me lembrei das pequenas coisas, neste caso, literalmente né?! E percebi que mesmo quando as coisas não andam muito bem nas nossas vidas, existem outas tantas coisas que fazem parte dela, e que mesmo por instantes, nos fazem extremamente felizes! 

Pós muito amor, tirei essa foto aí com ela. A beijei, dei carinho e enchi o bebedouro dela, que amanheceu dentro da minha bolsa, novamente! 
Se não formos fiéis às pequenas coisas, jamais poderemos ser às grandes! 

Valorize as pequenas coisas, os pequenos gestos! ;)

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

★ Pra quem você liga?

Texto de Ivan Martins

O telefone tocou logo cedo. Era a namorada, chorando. Tivera uma noite de sono ruim, chegara ao trabalho cansada e dera de cara com um problema sério, que parecia insolúvel. Bateu o desespero e ela ligou. Conversamos. Não havia o que fazer além de se acalmar e tentar resolver o caso. Disse isso a ela, juntei umas palavras de carinho e a ligação terminou de forma tranquila, uns minutos depois. Ela só precisava desabafar.

O significado dessa história cotidiana me parece da maior importância: é essencial ter alguém para quem ligar quando estamos aflitos, tristes ou perdidos. É fundamental ter com quem falar quando o mundo a nossa volta desmorona ou parece hostil e desanimador. Mesmo quando estamos felizes diante de uma notícia inesperada, ou de algo por muito tempo aguardado, temos necessidade de falar, contar, dividir. Para quem você liga nessas horas?

Nós damos uma importância enorme – e merecida – ao erotismo e ao romantismo nas nossas relações. Essas coisas são mesmo essenciais. Mas há outro componente na vida dos casais, igualmente fundamental, para o qual a gente nem sempre dá o devido valor. É a função de conforto e aconchego que o outro tem na nossa vida. É a proteção, ainda que subjetiva, que ela ou ele nos oferece. Quem ocupa essa posição detém uma das chaves da nossa existência. A pessoa para quem a gente faz a primeira ligação é uma pessoa essencial.

Faz algum tempo, uma amiga minha foi assaltada na porta da casa dela. A experiência foi assustadora, claro. Ela entrou no prédio apavorada, abriu a porta do apartamento chorando e correu para o telefone. Mas, em vez de ligar para o namorado, ligou para um colega do trabalho. Não foi pensado. Foi um impulso. Ela chamou a pessoa que ela gostaria de abraçar, a pessoa de quem precisava naquele momento. Só depois, quando a conversa com o colega acabou, ela se lembrou de ligar para o namorado. “O que isso significa sobre a minha relação com esses dois homens?”, ela me perguntou, uns dias depois. Eu achei que nem precisava responder. Significa, não?

Os telefonemas que a gente faz na hora do perrengue são reveladores. Eles exibem nossas conexões profundas, até mesmo as lealdades inconfessáveis. Se você acabou uma relação, mas ainda gosta da mulher, vai perceber um minuto depois de bater o carro. É para ela que você vai ter vontade de ligar. Se você conseguiu um tremendo emprego, não vai contar para o bonitão que conheceu no bar na semana passada. Vai ter vontade de ligar para o sujeito que sabe como isso é importante para você. E quando a gente bebe e fica insuportavelmente romântico e sentimental? Numa hora dessas, ninguém liga para pessoas estranhas. Comoção a gente divide com gente de confiança. Somos ridículos apenas com quem nos conhece muito bem. 

Claro, nós não ligamos para uma única pessoa na vida. Temos vários interlocutores, para diferentes situações. Às vezes precisamos da franqueza de um amigo, outras vezes do apoio incondicional da mãe ou de um irmão. Quando os filhos crescem é gostoso dividir com eles coisas importantes, assim como ouvi-los em casa de dúvida. Quanto maior for essa agenda essencial, quanto maior o número de pessoas para quem se possa dar um telefonema íntimo, melhor. A minha impressão, porém, é que mesmo a família acolhedora ou amizades sólidas não substituem a cumplicidade de uma parceira emocional. Ter alguém especial para quem ligar faz toda a diferença – sobretudo quando as coisas parecem estar caindo sobre a nossa cabeça.

Na única vez que eu estive na China, anos atrás, houve um terremoto. Acordei com a cama sacudindo e percebi, apavorado, que o quarto inteiro do hotel tremia. Eu estava acima do 20º andar e pude ver o mundo balançando pela moldura da janela. Não recomendo a experiência. A coisa durou alguns terríveis segundos e cessou de repente. Alívio. Minha primeira reação, sentindo que tinha escapado da morte, foi sentar na cama e ligar para a ex-mulher, que estava no Brasil. Ela ouviu por três segundos e me interrompeu com uma ordem: “Larga esse telefone e corre pra rua! Pode ter outro terremoto logo em seguida!” Era uma criatura prática... Eu tinha ligado para dizer o quanto ela era importante, mas nem foi preciso. O ato de telefonar já dizia tudo, mesmo que eu não tivesse aberto a boca.

E você? Pra quem liga? =)